

Cabocla na mata.
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Quando eu caminha na parte raza do leito do rio a água me chegava até os sovacaos. A máquina fotográfica eu segurava em cima da cabeça. De alguma forma eu sentia que ia passar por algo fora do normal. Como de costume segui a praia ao norte do rio até a floresta. Eu estava com os sapatos de praia quando eu andava na areia na região do mangue. Quando eu alcancei a entrada da floresta ao lado daquela enorme árvore tropical com o retrato do padre Cicero pintado no seu frente, eu escutei os tambores de dentro da floresta. Padre Cicero de Juazeiro, a cidade que depois da morte do padre Cicero Romão Batista no dia 20 de julho de 1934 se transformou em lugar santo para muitos brasileiros, altamente apreciado por católicos e umbandistas. Êle é especialmente popular no nordeste do Brasil. Nos mercados e lojas se pode comprar pequenas esculturas dêle feitas em madeira ou gêsso. O retrato na árvore já estava rebentado de tiros. O dono do bosque atirou nêle com raiva uma vez quando tinha brigado com os umbandistas que invadiam a área dêle.
Umbandistas na mata segrada Quanto mais eu entrava na floresta mais altoeu ouvia os tambores. Êles estavam com certeza na entrada da encruzilhada do floresta. O vapor subia das árvores e plantas. Uma enorme borboleta tropical voava entre as árvores. As folhas grandes da trepadeira, Imbé quando os raios do sol entravam através da cobertura florestal. |

Rio Doce 1977.
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Eu não me decido se vou mais próximo. Enquanto eu penso nisso já alcancei até a abertura da floresta. Um grupo de pessoas com roupas brancas e outras de vermelho estavam espalhadas lá. Eu tomei corajem, me aproximo de um rapaz e rergunto pelo pai de santo. Alguns me olham com curiosidade quando eu devagar me aproximo de um homem, raro, de cabelos compridros tôdo de branco com sapatos de sola alta que está discutindo algo com os tocadores de tambor.
As reuniõs de umbanda são muitos coloridas e eu gostaria de fotografar. Recebo permissão e em pouco tempo estou totalmente ocopado. Todos dançam, até eu. A Música é contagiante e alguns caem em transe. Sacrificam um galo e deixam o sangue dêle correr pelo pescoço dentro de uma tigela. Ao lado estão aceses uma vela preta e outra vermelha. Estão buscando contacto com Exu. Exu Pomba Gira é a deusa do amor sexual, à quem se busca quando a gente está com problemas de amor ou algo relacionado. Ela é muito popular igualmente à do amor espiritual Iemanjá, a deusa do mar. Algumas mulheres estão vestidas de vermelho como Pomba Gira, mas nenhuma se encontra agora com o espírito dela. Mas acontece outra coisa. |

Iemanjá, a deusa do mar.

Pitú no mata, aguardente de cana.
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Enquanto a dança continua eu troco o filme. Os tambores batucam. Uma mulher, de roupas brancas, cheia de colares entra em transe e "Recebe o santo" de Malungenho da Mata, um espirito da floresta brincalhão que faz o que êle quer. Um velho de cabelos brancos me explica o que acontece e me informa, que ninguém ainda conseguiu fotografar êsse espírito. Ninguém me impede então eu sigo fotografando.
Daqui à pouco fazem uma pausa na festa. Eu começo a pensar no filme da minha máquina fotogáfica. Provàvelmente tirei mais de 36 fotos! Colocam a comida em panelas de aluminio na fogueira. Cozinham o galo, assim como, arroz mistura com mel. Arroz com mel é a comida de santo que dizem ser a preferida de Jesus (Oxalá). Agora todos devem comer para que os espíritos e Deuses não fiquem com raiva. O arroz é bem gostoso. Da outra comida não participo porque sou vegetariano. |

Pausa na festa.
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Enquanto comemos escuto algumas mulheres discutirem diferentes formas de mataren nenéns indesejáveis. A forma mais comum talvez seja deixar êles se desidratarem de diferentes geitos. Dar ás crianças pouca água ou dar água suja prá que êles não consigam sustentar a comida. Fico Sêco na garganta e não consigo engolir. Por sorte essa discussão é só de nivel teórico, mesmo que na realidade muitos pobres não podem sustentar seus filhos. Mesmo que a maioria dos nenéns porque os pais não saben como cuidar ihes. A alimentação é insuficiente, a água como se disse contaminada, etc. Alguhns dos presentes, entre êles uma mocinha, vão ser batizados no rio. Eu sigo fotografando, mas comecei a ficar realmente desconfiado. O filme nunca termina. Por isso enrolei de volta o filme e coloquei um novo.
Exu na literatura cordel. Seja o que for com aquele espírito que não se deixa fotografar; o fato é que uma semana depois quando fui buscar as fotografias na loja fotográfica no Recife o filme estava todo vazio. |

Eu (Kim) no espelho,
Recife-PE 1977.

Pai Lao como Zé Pilintra e
meus pais Gunnie e Gunnar
Mällberg, Olinda-PE 1976.
Mil e um Postais.
(A pàgina quinto!)
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Salve a amizade Brasil - Suécia! E-mail:
Kim Mällberg - kimantis@yahoo.se
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