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Histórias e Lendas sobre Eclipses e o Sol
Lendas de Curupira ou Currupira"Este mito que protege nossa fauna e nossa flora, que desorienta o caçador predador, que parte o machado de quem abater árvores sem necessidade.
Outro nome do Caipora, ou Caapora, é Curupira, protetor das árvores, chamado assim quando apresenta os pés normais.
Histórias e Lendas da NhamundáAs origens da sede municipal remontam ao início das penetrações do rio Nhamundá, ocorrido nas primeiras décadas do séc. XVII, os índios foram os primeiros habitantes - Uabuís, Cunuris e Guaicaris, com aldeia denominada Faro. em 1758 ocorre sua elevação a vila. Na divisão administrativa do Brasil de 1911, aparece como integrante do Município de Parintins, volta a dispor de um outro distrito , além da sede , o de ilha das cotias. Em 19.12.1955, pela Lei Estadual no. 96, o Distrito de Ilha das Cotias é desemembrado de Parintins e passa a constituir o município autônomo de <strong>Nhamundá</strong>. Em 31.01.1956 instala-se o novo município.. Aspectos Físicos, Geográficos e Populacionais Localização : situado na mesorregião no. 3, microrregião no. 10, código municipal no. 0300 classificação do IBGE. Dista da Capital do Estado 375 km em linha reta. Clima: Tropical chuvoso e úmido. Altitude: 50m acima do nível do mar Temperatura: máxima de 30 C e mínima de 22,4 C. Temperatura: máxima de 30 C e mínima de 22,4 C. Coordenadas Cartesianas: situa-se a 02 13` 25`` de latitude sul e a 56 44` 21`` de longitude a oeste de Greenwich. População: pelo Censo IBGE (1991), o total de habitantes é 13.250 (6.882 homens e 6.368 mulheres), sendo 4.847 na zona urbana e 8.403 na zona rural. História X Lendas As AmazonasDesde antes de Cristo que se falava na existência de mulheres guerreiras, que viviam sós, isoladas de homens, com os quais se encontrariam para fins de acasalamento e assim mesmo ficando para criar apenas as crianças do sexo feminino.
Eram as amazonas, [do grego a (não, sem) e mazós (seios)], ou seja, as mulheres sem seios, pois tais mulheres, quando ainda jovens, deviam queimar ou atrofiar o seio direito, a fim de facilitar o manejo do arco. Nascida tal história com a mitologia grega, espalhou-se durante a Idade Média, chegando aos tempos modernos, tendo o tema inspirado muitos escritores e artistas. Tais amazonas reinariam na região da Capadócia, situada na Ásia Menor. Em 1541, após descer o afluente Napo e chegar ao então Mar Dulce, nome que Pinzon dera ao Rio Amazonas, eis que Francisco de Orelhana é atacado por uma tribo de mulheres que, no testemunho de Frei Gaspar de Carvajal, são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios". Em seu relato, Carvajal narra a seguir que embora abatessem vários índios que eram comandados pelas mulheres e mesmo algumas destas, os espanhóis se viram obrigados a fugir, tendo porém capturado um índio. Este, mais tarde, ao ser interrogado, declarou pertencer a uma tribo cujo chefe, senhor de toda a área ( o ataque tinha se dado na foz do Rio Nhamundá ), era súdito das mulheres que residiam no interior. Na qualidade de súditos, obedeciam e pagavam tributos às mulheres guerreiras, que eram acompanhadas pelo chefe Conhori. O prisioneiro, respondendo a várias perguntas do comandante, disse que as mulheres não eram casadas e que sabia existir setenta aldeias delas. Descreveu as casas das mulheres como sendo de pedra e com portas, sendo todas as aldeias bastante vigiadas. Disse ainda que elas pariam mesmo sem ser casadas porque, quando tinham desejo, levavam os homens de tribos vizinhas à força, ficando com eles até emprenharem, quando então os mandavam embora. Quando tinham a criança, se homem, era morto ou então mandavam para que o pai o criasse, se era mulher, com ela ficavam e a menina era educada conforme as suas tradições guerreiras. Descreveu ainda seus hábitos e suas riquezas, pois que tais mulheres possuíam muito ouro e prata. O encontro e as escaramuças à foz do Rio Nhamundá (hoje limite entre os estados do pará e do Amazonas) com os índios e/ou as índias mais a descrição do prisioneiro foi bastante para que houvesse associação com as Amazonas da Capadócia. E o rio, até então mar Dulce, passa a ser chamado Rio de las Amazonas (Rio das Amazonas) e finalmente Rio Amazonas. A narração feita por frei Gaspar de Carvajal teve imensa repercussão na Europa e correu mundo, atemorizando uns, surpreendendo outros, mas maravilhando a todas os que ouviam falar da terra das mulheres guerreiras...! Histórias Guarani Estas histórias pertencem a uma
No começo todos animais falavam No começo todos animais falavam, até a cabra e o cachorro do mato. A cabra estava no pé de laranja, e ela bateu com a cabeça para cair laranja, batia e a laranja caia. Aí o cachorro do mato chegou e foi convidado para chupar laranja. Mas ele perguntou para a cabra:
- Como você consegue derrubar? A cabra respondeu: - Você bate a cabeça na laranja aí ela cai, olha, eu faço assim.... A cabra se afastou distante um pouquinho, veio correndo e bateu no pé de laranja, aí a laranja chacoalhou e caiu. Aí os dois chuparam. Quando acabaram as laranjas, a cabra falou assim para o cachorro: - Agora é a sua vez. Aí o cachorro afastou uns sete ou oito metros, veio correndo, bateu no pé de laranja e quebrou a cabeça porque ele não tem chifre. Aí acabou a festa dele.
Esta é a história do macaco e do guará.
Aí diz que o macaco e o guará foram juntos. Aí pegaram e começaram a chupar a cana. Tinha muita cana, cana boa e doce. Chupavam... Aí, diz que o macaco quando chupava aquela cana gritava: - Ai! Que doce! Aí, diz que o companheiro dele disse: - Calma aí, fica quieto, que daqui a pouco vem o cachorro pegar a gente.
- Não, ele não escuta não. Porque ele sabia que ele ia subir numa árvore, e aquele companheiro não sabia subir. Aí o macaco chupava e gritava: - Ai! Que doce! Aí o companheiro falava: - Fica quieto! Fica quieto! O cachorro.... Aí quando veio o cachorro...o macaco nem se preocupava porque sabia trepar em árvore. Aí o macaco subiu numa árvore e o companheiro dele correu pelo mato, correu, correu...e o cachorro vinha junto, e corria, corria...até que bem tarde ele achou um buraco de castor e entrou, aí escapou. Aí, diz que no outro dia, noutro mês mais ou menos, eles se encontraram de novo. Aí o macaco falou: - Mas como é que você escapou?
- Escapei por essa coisa... Disse o guará e mostrou um par de botas: - Eu encontrei estas botas, se não tivesse encontrado aí que eu morria mesmo. Aí eu achei essas botas e calcei, coloquei nos meus pés e subi em uma árvore. - Ah! Subiu mesmo é? Disse o macaco. - Subi sim! Aí o macaco pensou e falou: - Ah! Então me empresta aí essas duas botas. - Empresto sim. Aí o macaco colocou as botas e disse: - Ah, então chupar cana de novo. Aí, diz que eles estavam lá...chupavam.... Aí o macaco em cada chupada que gritava:
E o guará falava: - Calma aí...olha o cachorro. E o macaco falava: - Não estou com medo, agora estou com as botas...ai que doce! Aí daqui há pouco os cachorros vieram de novo. Aí o guará correu e o macaco esperava, tranquilo, um pouco ainda. Aí chegaram os cachorros...o macaco tentou trepar na árvore mas ele caía, subia e caía. Aí o cachorro pegou ele e comeu.
O mico estava no rio pescando quando o tigre chegau. Diz que o mico foi pescar. Ele estava no rio pescando quando o tigre chegou:
- O que é que você está fazendo? O mico respondeu: - Vamos comer peixe? Ah...se você tem fogo podemos comer. Aí o tigre falou: - Ah, não tenho fogo....como é que iremos fazer o fogo? Aí o mico ficou pensando, pensando, olhando de lado e disse para o tigre apontando a lua: - Oh, tigre! Vai buscar o fogo, lá em cima tem fogo, pode subir lá! O tigre ficou pensando e disse: - Tá certo...eu vou.
- Não cheguei lá. O mico falou: - Você não chegou agora não podemos comer o peixe. Pois tente de novo, suba pelos morros, pelas cordas do cipó! Aí o tigre se animou e saiu correndo. Aí o mico se aprontou, pegou o peixe colocou no seu bolsinho e foi correndo subindo lá em cima, trepou em um coqueiro, bonito coqueiro. Ficou lá na ponta fazendo fogo. O mico tinha fogo. Tinha fogo daquele isqueiro...batia...tinha pedra e um canudo de taquá. Batia, batia e fez o fogo...e ficou lá cozinhando o peixe.
- Oh, mico! Como você subiu aí em cima? - Eu subi de costas, com a bunda prá cima! E o tigre ficou admirado. - Será que eu também consigo? - Consegue sim, pode vim! - Mas quando eu chegar aí como é que eu vou fazer? Ainda gritou o tigre. - Ora...quando você chegar aqui eu seguro você pelo teu rabo! Respondeu o macaco. Aí o tigre foi subindo de bunda prá cima, bem devagarinho, sempre perguntando para o macaco: - Tá perto! E o mico respondia: - Tá quase!
- Tá quase, pode subir um pouquinho mais que eu já estou pegando o seu rabo. Aí, quando tigre chegou bem perto o mico pegou no rabo, e a água tava fervendo peixe, pegou a panela e virou e largou o rabo...e tigre foi pro chão. Aí no chão o tigre ficou pensando: "O mico sem-vergonha, me fez uma coisa dessa..." Aí pediu para o vento para morder todo o mico. Aí o vento começou a chegar e mico foi percebendo que ia cair e o tigre abriu a boca para pegar o mico - e foi tão rápido que o tigre engoliu o tigre sem mastigar. Aí o tigre seguiu seu caminho. Mas o mico que estava lá dentro, tirou seu canivetinho e começou a picar, bem devagar, as tripas do tigre. Aí o tigre sentiu o corpo enfraquecer, enfraquecer, doendo muito. Aí o tigre percebeu que não tinha mais jeito e foi procurar um pajé. Mas não é um pajé de gente, é um pajé de tigre. Aí chegou perto da casa do grilo e gritou: - Ei, você é pajé? O grilo respondeu: - Sou. Aí o grilo olhou, olhou a barriga e disse: - Acho que a comida que você come fez mal para você. Não tem mais jeito mesmo. Mas tem outro pajé, quer ir lá, pode ir.
- Você tá muito mal, você vai morrer mesmo, não posso te curar. Aí o tigre ficou muito sentido e pensou: "Não tem mais jeito mesmo, procurei dois pajés e ninguém pode me curar". No outro dia ele se levantou, foi andando pela estrada e morreu. O mico havia cortado todas as tripas e coração e matou o tigre. E aí o mico ficou pensando: "Poxa, agora como é que eu vou sair? Se sair pela boca ele pode me morder, se sair pelos olhos ele pode me enxergar, se sair pelo nariz ele pode me cheirar, se sair pelo ouvido ele pode me ouvir, se sair pelo pé ele pode me pisar, se sair pela mão ele pode me pegar..." Aí o mico pensou, pensou e resolveu abrir a barriga do tigre e saiu. Daí ele ficou preocupado: "Poxa, agora como é que eu vou fazer? Tem o outro companheiro do tigre que vai ficar sabendo e vai querer me pegar. Como eu vou fazer?". Aí ele voltou até o tigre morto e com seu canivete cortou a mão dele e o dente, tirou o dente e colocou na sua bolsa. E aí foi andando pela estrada. A tardezinha fez um foquinho e sentou, ficou sentado lá. Aí chegaram quatro tigres e falaram para o mico que continuava sentado: - Agora você não vai escapar. Não tem mais jeito mico! Aí o mico disse: - Puxa, vou ter que matar mais tigre de novo...eu falei que se aparecesse tigre por aqui eu matava de novo. Já matei muito tigre. Oh, eu tenho os dentes (e mostrou o dente do tigre), oh, dente feio! Aí os tigres pesaram: "Será que este mico esta mentindo?". Aí o mico falou: - Agora vou pegar a mão do tigre deste tamanho (e mostrou a mão do tigre morto), oh, que mão de tigre mais feia. Aí um tigre ficou olhando para o outro: - Olha, não é mentira não. Vamos embora. Aí os tigres foram embora e o mico escapou.
Uma família pobre. Diz que tinha uma família pobre, trabalhadora, que tinha um patrão que morava longe, em um sítio. Aí um dia a esposa dele resolveu: - Você tem que sair para vender essa nossa vaquinha. Aí o marido dela pegou a vaquinha e saiu pela estrada, depois de um tempo encontrou um homem que vinha vindo com um porco.
- Estou indo vender. - Não que trocar pelo meu porco? - Bom...pensou o homem...já que você quer trocar, vamos fazer negócio então. Aí o homem trocou sua vaquinha por um porco. Daí ele continuou e mais para a frente ele encontrou um outro homem com um cabrito. - Ei, aonde você vai com esse porco? - Vou vender. - Quer trocar por esse pato cabrito? Aí o homem trocou. Andou mais um trecho e encontro um outro que vinha com um pato assado: - Ei, quer trocar esse cabrito por esse pato assado? E ele trocou. E ia segundo agora com o pato assado quando encontro um homem que vinha com uma galinha, e homem também perguntou: - Ei, aonde vai com esse pato assado? - Eu vou vender. - Quer trocar por essa galinha? O homem pensou...pensou e de novo resolveu: - Já que você quer trocar vamos fazer negócio. Aí já estava chegando na casa do patrão dele, já estava bem de tardezinha e o patrão dele não estava em casa. Como estava com muita fome mandou malar a galinha e comeu, ele comeu porque estava com muita fome mesmo. Aí a noite, o patrão dele chegou e perguntou: - Por que é que você veio? - Minha mulher mandou vendera vaca, aí eu saí e vim até aqui. - E o que é que...vendeu, trocou, que é fez da vaca? - Eu vinha vindo a uma altura e encontrei com um homem que ia indo com um porco, ele queria trocar e eu troquei. - Bom...falou o patrão...e cadê o porco? - Pois...eu vinha vindo com o porco e encontrei com um homem que estava indo com um cabrito. - E o cabrito? - Vim mais uma altura e encontrei outro homem que ia indo com um pato, ele queria fazer negócio, queria trocar o pato pelo cabrito e eu troquei. - E o pato? O que fez do pato? - O pato eu troquei por uma galinha, é que encontrei um outro homem que queria fazer negócio e troquei. - E a galinha? A galinha eu mandei matar porque estava com muita fome e jantei ela. - E agora, e sua mulher? Que é que vai fazer? - Não sei... Aí diz que o patrão pensou e resolveu fazer uma proposta: - Olha, eu vou te fazer uma proposta, você voltando para casa, você contando tudo o que você fez para sua mulher e ela não ficar brava, não brigar com você, vou te dar mil cabeças de gado e mais uma porção de dinheiro. Mas se ela ficar brava eu não vou te dar nada. Aí o homem disse: - Então está certo...vamos embora. O patrão dele pegou dois cavalos, um para cada um e forma para a casa dele. Quando chegou de volta em casa a mulher perguntou: - Aí, vendeu bem a vaquinha que você levou? Ele falou: - Logo que eu saí encontrei um homem vindo com um porco, aí eu troquei pelo porco. Aí a mulher dele falou: - Ah...então tá bom...nós precisamos mesmo de ter um porquinho aqui. E o porquinho? - Aí eu fui indo com o porco e encontrei um homem com um cabrito, ele queria trocar com o cabrito, aí eu troquei. - Ah...então tá bom, aqui tem muito lugar para ter criação de cabrito, vai ser bom a gente ter um cabritinho, mas e o cabritinho? - Ah, o cabrito eu troquei por um pato, um outro homem queria trocar aí eu fiz negócio. - Ah, então té bom...tem um rio pertinho daqui para a gente criar pato. E o pato? - Pois...logo quando eu estava chegando veio um homem com uma galinha, ele queria trocar a galinha e eu troquei. - Ah...então tá bom, vamos começar um criação de galinha... - Mas ter galinha é que esta difícil....eu cheguei de tardezinha, estava com fome e mandei matar a galinha e comi. - Ah, então tá bom...quando a gente viaja a gente sente fome mesmo. Ai diz que o patrão estava surpreendido com mulher que não ficava brava nunca, tudo que ele contava a mulher achava bom. Então, aí, ele ganhou a aposta: mil cabeças de gado e uma porção de dinheiro...! "Como nasceu a primeira mandioca" Era uma vez uma índia chamada Atiolô. Quando o chão começou a ficar coberto de frutinhas de murici, ela casou com Zatiamarê. As frutinhas desapareceram, as águas do rio subiram apodrecendo o chão. Depois o sol queimou a terra, um ventinho molhado começou a chegar do alto da serra. Quando os muricis começaram outra vez a cair, numa chuvinha amarela, Atiolô começou a rir sozinha. Tava esperando uma menininha. Zatiamarê, porém, vivia resmungando: - Quero um menino. Para crescer feito o pai. Flechar capivara feito o pai. Pintar o rosto assim de urucu feito o pai. O que nasceu mesmo foi uma menina. Zatiamarê ficou tão aborrecido que nem lhe deu um nome. E ficou muitas luas sem olhar a sua cara. A mãe, por sua própria conta, começou a chamar a menininha de Mani. O único presente que Zatiamarê deu a Mani foi um teiú de rabo amarelo. Mas não conversava com ela, não. Se Mani perguntava alguma coisa, ele respondia com um assovio. - Por que você não fala com sua filha? - perguntava Atiolô, muito triste. - Porque esta filha eu não pedi - respondia ele. - Pra mim é como se fosse de vento. Até que Atiolô ficou esperando criança de novo. - Se desta vez não for um homem, feito o pai - jurava Zatiamarê - vou botar em cima de uma árvore. E nem por assovio vou falar com ela. Foi, porém, um menininho que chegou: Tarumã. Com ele, o pai conversava, carregava nas costas pra atravessar o rio, empoleirava no joelho pra contar história. Mani pediu à mãe que a enterrasse viva. Assim o pai ficaria mais feliz. E talvez ela servisse pra alguma coisa. Atiolô chorou muitos dias com o desejo da filha. Mas tanto Mani pediu que ela fez. Fez um buraco no alto do morro e enterrou Mani. - Se eu precisar de alguma coisa - explicou ela - você saberá. Atiolô voltou para casa. De noite sonhou que a filha sentia muito calor. De manhãzinha foi até lá e a desenterrou. - Onde você quer ficar enterrada? - perguntou. - Onde tiver mais água - pediu Mani. - Me leva pra beira do rio. Se eu não estiver satisfeita, você saberá. Na primeira noite, Atiolô não sonhou nadinha. Achou que a filha estava alegrinha no novo lugar. De tardinha, porém, quando tomava banho no rio, não é que recebeu um recado? Boiando na água, era a voz de Mani: - Me tira da beira do rio. O frio não me deixa dormir. Atiolô obedeceu. Levou a filha pra bem longe na mata: - Quando você pensar em mim - disse a menina - e não se lembrar mais do meu rosto, está na hora de me visitar. Aí você vem.
- Uma planta tão comprida não pode ser a minha filha! - resmungou. Na mesma hora a planta se dividiu. Uma parte foi ficando rasteirinha, rasteirinha e virou raiz. Sua mãe achou que podia levar aquela raiz pra casa. Era a mandioca.
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