legender myter - Brasilien.

Hej! Jag heter Kim Mällberg och är bl.a. intresserad av Latinamerikas indianer och andra urbefolkningar runt om på vår Jord. Dessutom har jag ett gammalt intresse; att samla på allt om och med apor.





Silkesapor, Callithrix jacchus.





Kim

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Legender myter - Brasilien - Curupira - Caipora.



Legender (på portugisiska)



Histórias e Lendas sobre Eclipses e o Sol



No Êxodos é deus que atribui a Moisés o poder do eclipse: "Estende a mão para o céu e haja trevas sobre todo o Egipto, tão espessas que se possam sentir." E no Livro do Apocalipse a escuridão surge de outro modo: "O quarto anjo tocou a trombeta, e foi atingida a terça parte do Sol, a terça parte a Lua e a terça parte das estrelas, de modo que se obscureceram em um terço e o dia perdeu um terço de sua claridade assim como a noite.


Na China imperial, o astrônomo oficial tinha de prever os eclipses sob pena de cair em desgraça. No dia marcado, os mandarins armados de arcos e flechas, reuniam-se no palácio e, a um sinal dado, todos lançavam suas flechas para o ar em socorro do astro eclipsado. Fora do palácio sob as ordens de um mestre de cerimônia todos deviam fazer soar instrumentos e produzir o máximo de barulho para fazer reaparecer o Sol.


Embora os Caldeus e Assírios e outros povos do Oriente tenham tido particular importância das descobertas astronômicas da antiguidade, conta-se que o Xá da Pérsia quando visitou o observatório de Greenwich em 1882 queria que o diretor, Sir G. Airy lhe mostrasse um eclipse. Ante as explicações do astrônomo da impossibilidade de atender tal pedido, o Xá aconselhou o Princípe de Gales, que o acompanhava, a mandar cortar a cabeça de semelhante sábio que nem ao menos sabia produzir um eclipse...


Em 1872 os almanaques ainda publicavam considerações sobre os eclipses como estas : "Se o eclipse que aparecer tiver a cor um tanto negra, puxando a verde, denota mortandade e peste, grandes frios, gelos, neves e escuridades no ar, tempestades, terramotos, e diluvios com fomes, se tiver a cor um tanto avermelhada denota morte de algum Rei ou homem poderoso, se aparecer com cor dourada denota dano em homens poderosos e novas seitas, se aparecer de diversas cores, ou de cor do céu denota morte de algum príncipe, motins, fomes, guerras, carestia...


Fala de Okute, um velho Sioux: "Todos os seres vivos e todas as plantas devem sua vida ao Sol. Se não houvesse Sol, haveria escuridão e nada cresceria, ficando a terra sem vida. No entanto o Sol precisa da ajuda da Terra. Se apenas o Sol influenciasse os animais e as plantas, o calor seria tão grande que eles morreriam. Mas existem as nuvens que trazem a chuva, e a ação combinada do Sol e da Terra proporciona a umidade necessária à vida."


Discurso de Tuiavii, um chefe da Samoa ao seu povo depois de conhecer a Europa no começo do século : "Quanto a nós, filhos livres do Sol e da luz, desejamos continuar fiéis ao Grande espírito e não sbrecarregar com pedras o seu coração. Só indivíduos desvairados e doentes, homens que largaram a mão de deus, serão capazes de viver felizes entre buracos daqueles sem Sol, sem luz e sem vento. Reconheçamos a incontestável felecidade do homem branco, frustemos as suas tentativas de construir, ao longo de nossas margens banhadas de sol, os seus baús de pedra, e de destruir a nossa alegria com pedras, buracos, sujidade, barulho, fumo, areia, como é desejo seu fazer."


Mito dos Camaiurá: "... Aí o urubutsim começou a ensinar o Sol e a Lua, dizendo: - De manhã nasce o dia, de tarde vai sumindo e depois some de vez. Não vão pensando que nós levamos de volta. Não pensem isso, não. O dia aparece e vem a noite depois. Vai ser sempre assim. Quando vem a noite, não pensem que vai ficar sempre escuro e nós roubamos o dia de vocês. Não tenham medo, não. Ele volta sempre...



Lendas de Curupira ou Currupira



"Este mito que protege nossa fauna e nossa flora, que desorienta o caçador predador, que parte o machado de quem abater árvores sem necessidade.
Ele que permite através da preservação da natureza, que se preserve assim também pelo maior tempo possível a espécie humana.
Curupira - Caipora

 


Tendo em vista a preocupação da humanidade em relação à ecologia, coloca o FEFOL, do qual é o Patrono, e sua capital, Olímpia, assim como o próprio folclore, em sintonia com o planeta."

Entidade mítica de idealização folclórica de procedência tupi-guarani (de "curu"-corruptela de curumim + "pira" = corpo, corpo de menino), com ligações originárias ao homem primitivo e de atributos heróicos na proteção da fauna e da flora.

Curupira - Caipora Tem como principal signo a direção contrária dos pés em relação ao próprio corpo, o que constitui um artifício natural para despistar os caçadores, colocando-os numa perseguição a falsos rastros.

Possui extraordinários poderes e é implacável com os caçadores que matam pelo puro prazer de fazê-lo;

Há, entretanto variantes, extremamente divergentes dessas idéias, onde o Curupira (e/ou Caipora, do tupi-guarani "caá", mato, e "pora", habitante), é um ser medonho e perverso: "o demônio das florestas"; na concepção pictória, "aparece" de várias formas: como um menino de corpo peludo, cabelos avermelhados e dentes verdes; como um curumim; como um duende sem cabelos e com o corpo coberto de pelos verdes; como um anão, um caboclinho, etc.

O Curupira tem para nós olimpienses uma peculiar importância por ser o patrono do FEFOL, durante a qual é incumbido de governar a cidade após receber (personificado) das mãos do prefeito a carta de mandatário e a chave simbólica do município.

Curupira - Caipora É um mito existente em todo o Brasil. É um ente fantástico, demoníaco, cruel para os que não o atendem. É representado ora como mulher unípede, o Caipora-Fêmea, ora como um tapuio encantado,nu, que fuma no cachimbo, este último na área do Maranhão a Minas.

Manoel Ambrósio dá a notícia, no Nordeste, de um caboclinho com um olho só no meio da testa, descrição que nos faz lembrar dos ciclopes gregos. 

Também aparece no Paraná como um homem peludo que percorre as matas montado num porco-espinho.

No Vale do Paraíba, estado de São Paulo, ele é descrito como um caçador façanhudo, bastante feio, de pêlos verdes e pés virados para trás.
Curupira - Caipora

 

Outro nome do Caipora, ou Caapora, é Curupira, protetor das árvores, chamado assim quando apresenta os pés normais.

Em algumas regiões, há fusão dos dois duendes, em outras elas coexistem. O mito emigrou do Sul para o Norte, conforme conclusão dos estudiosos.

Existe na Argentina o mesmo duende, como um gigante peludo e cabeçudo. Couto de Magalhães aceita a influência platina no nosso Caipora.

Nesse conto brasileiro, o duende vira ao avesso o caçador. Também é comum, principalmente em Minas e São Paulo, o castigo de matar de cócegas aquele que não tem fumo para contentá-lo.

Curupira - Caipora O Caipora, ou Pai-do-Mato, é protetor da caça e reina sobre todos os animais.

É mau espírito. Infelicita os que encontra, quando não lhe dá tremendas surras. Deparar o Caipora traz conseqüências desagradáveis.

Por extensão, passou a lenda a considerar qualquer encontro com o Caipora como causa de infelicidade. 

Daí caiporismo = má sorte.

O Caipora, também chamado Curupira e, em algumas regiões, Caiçara, justificado pelas lendas ameríndias, é protetor da caça e guardião dos caminhos. Em maio de 1550, dizia o Padre Anchieta que o Caiçara maltratava os índios nas brenhas, com chicotadas.

Chegava até a matá-los, à força de maltratos. Os índios, para apaziguá-lo, deixavam para ele, nas clareiras, penas de pássaros, redes, esteiras. Segundo Gonçalves Dias, Curupira é o espírito mau que habita as florestas. Descreve-o assim: 'Veste as feições de um índio anão de estatura, com armas proporcionais ao seu tamanho'. Governa os porcos-do-mato e anda com varas deles, barulhando pela floresta. O mesmo mito é encontrado em toda a América Espanhola: no Paraguai, na Bolívia, na Venezuela.

Curupira - Caipora

 



Entre os Chipaias, tribo guarani moderna, há a crença no Curupira, como sendo um monstro antropófago, gigantesco, muito simplório, conforme relato de Artur Ramos, em Introdução à Antropologia Brasileira.

Apesar de serem conhecidos o nome e o mito Curupira, no Vale do Paraíba é mais encontradiço o nome Caipora, usado até para designar gente de cabeleira alvoroçada.

Curupira - Caipora Lá, é um caboclinho feio pra danar, anão de pés virados para trás, cabeludo. Viaja montado em um porco-espinho, com a cara virada do lado do rabo da montaria.

Quem vai mato a dentro, tem que se prevenir com fumo de rolo, para lhe oferecer.

Uma variação fonética mais recente foi recolhida no estado de São Paulo, e consta do reforço do primeiro 'r' brando do nome, para Currupira. Assim se diz em alguns pontos da Serra Quebra-Cangalha, nas alturas de Silveiras e assim foi ouvido em Olímpia, cognominada a Capital Nacional do Folclore.

Curupira - Caipora



Histórias e Lendas da Nhamundá



As origens da sede municipal remontam ao início das penetrações do rio Nhamundá, ocorrido nas primeiras décadas do séc. XVII, os índios foram os primeiros habitantes - Uabuís, Cunuris e Guaicaris, com aldeia denominada Faro. em 1758 ocorre sua elevação a vila. Na divisão administrativa do Brasil de 1911, aparece como integrante do Município de Parintins, volta a dispor de um outro distrito , além da sede , o de ilha das cotias. Em 19.12.1955, pela Lei Estadual no. 96, o Distrito de Ilha das Cotias é desemembrado de Parintins e passa a constituir o município autônomo de <strong>Nhamundá</strong>. Em 31.01.1956 instala-se o novo município..

Aspectos Físicos, Geográficos e Populacionais

Localização : situado na mesorregião no. 3, microrregião no. 10, código municipal no. 0300 classificação do IBGE. Dista da Capital do Estado 375 km em linha reta.
Área Territorial: 14.040 Km
Clima: Tropical chuvoso e úmido.
Altitude: 50m acima do nível do mar
Temperatura: máxima de 30 C e mínima de 22,4 C.
Temperatura: máxima de 30 C e mínima de 22,4 C. Coordenadas Cartesianas: situa-se a 02 13` 25`` de latitude sul e a 56 44` 21`` de longitude a oeste de Greenwich.
População: pelo Censo IBGE (1991), o total de habitantes é 13.250 (6.882 homens e 6.368 mulheres), sendo 4.847 na zona urbana e 8.403 na zona rural.

História X Lendas
 

As Amazonas

Desde antes de Cristo que se falava na existência de mulheres guerreiras, que viviam sós, isoladas de homens, com os quais se encontrariam para fins de acasalamento e assim mesmo ficando para criar apenas as crianças do sexo feminino.

Mulher Amazonas

Eram as amazonas, [do grego a (não, sem) e mazós (seios)], ou seja, as mulheres sem seios, pois tais mulheres, quando ainda jovens, deviam queimar ou atrofiar o seio direito, a fim de facilitar o manejo do arco. Nascida tal história com a mitologia grega, espalhou-se durante a Idade Média, chegando aos tempos modernos, tendo o tema inspirado muitos escritores e artistas. Tais amazonas reinariam na região da Capadócia, situada na Ásia Menor. 

Em 1541, após descer o afluente Napo e chegar ao então Mar Dulce, nome que Pinzon dera ao Rio Amazonas, eis que Francisco de Orelhana é atacado por uma tribo de mulheres que, no testemunho de Frei Gaspar de Carvajal, são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios&quot;. Em seu relato, Carvajal narra a seguir que embora abatessem vários índios que eram comandados pelas mulheres e mesmo algumas destas, os espanhóis se viram obrigados a fugir, tendo porém capturado um índio. Este, mais tarde, ao ser interrogado, declarou pertencer a uma tribo cujo chefe, senhor de toda a área ( o ataque tinha se dado na foz do Rio Nhamundá ), era súdito das mulheres que residiam no interior. Na qualidade de súditos, obedeciam e pagavam tributos às mulheres guerreiras, que eram acompanhadas pelo chefe Conhori. O prisioneiro, respondendo a várias perguntas do comandante, disse que as mulheres não eram casadas e que sabia existir setenta aldeias delas. Descreveu as casas das mulheres como sendo de pedra e com portas, sendo todas as aldeias bastante vigiadas. Disse ainda que elas pariam mesmo sem ser casadas porque, quando tinham desejo, levavam os homens de tribos vizinhas à força, ficando com eles até emprenharem, quando então os mandavam embora. Quando tinham a criança, se homem, era morto ou então mandavam para que o pai o criasse, se era mulher, com ela ficavam e a menina era educada conforme as suas tradições guerreiras. Descreveu ainda seus hábitos e suas riquezas, pois que tais mulheres possuíam muito ouro e prata.

O encontro e as escaramuças à foz do Rio Nhamundá (hoje limite entre os estados do pará e do Amazonas) com os índios e/ou as índias mais a descrição do prisioneiro foi bastante para que houvesse associação com as Amazonas da Capadócia. E o rio, até então mar Dulce, passa a ser chamado Rio de las Amazonas (Rio das Amazonas) e finalmente Rio Amazonas. A narração feita por frei Gaspar de Carvajal teve imensa repercussão na Europa e correu mundo, atemorizando uns, surpreendendo outros, mas maravilhando a todas os que ouviam falar da terra das mulheres guerreiras...!




Histórias Guarani

Estas histórias pertencem a uma coletânea levantada entre os Guarani a respeito das histórias que costumam ser contadas para as crianças mais novas.

 

  No começo todos animais falavam

  No começo todos animais falavam, até a cabra e o cachorro do mato. A cabra estava no pé de laranja, e ela bateu com a cabeça para cair laranja, batia e a laranja caia. Aí o cachorro do mato chegou e foi convidado para chupar laranja. Mas ele perguntou para a cabra:

- Como você consegue derrubar?

A cabra respondeu:

- Você bate a cabeça na laranja aí ela cai, olha, eu faço assim....

A cabra se afastou distante um pouquinho, veio correndo e bateu no pé de laranja, aí a laranja chacoalhou e caiu. Aí os dois chuparam.

Quando acabaram as laranjas, a cabra falou assim para o cachorro:

- Agora é a sua vez.

Aí o cachorro afastou uns sete ou oito metros, veio correndo, bateu no pé de laranja e quebrou a cabeça porque ele não tem chifre. Aí acabou a festa dele.

 

 

  Esta é a história do macaco e do guará.

Diz que um dia o macaco convidou o companheiro guará para chupar cana. Tinha um canavial perto de um morador, e na área tinha um cachorro bastante bravo.

Aí diz que o macaco e o guará foram juntos. Aí pegaram e começaram a chupar a cana. Tinha muita cana, cana boa e doce. Chupavam...

Aí, diz que o macaco quando chupava aquela cana gritava:

- Ai! Que doce!

Aí, diz que o companheiro dele disse:

- Calma aí, fica quieto, que daqui a pouco vem o cachorro pegar a gente.

Aí diz que o macaco falou:

- Não, ele não escuta não.

Porque ele sabia que ele ia subir numa árvore, e aquele companheiro não sabia subir.

Aí o macaco chupava e gritava:

- Ai! Que doce!

Aí o companheiro falava:

- Fica quieto! Fica quieto! O cachorro....

Aí quando veio o cachorro...o macaco nem se preocupava porque sabia trepar em árvore. Aí o macaco subiu numa árvore e o companheiro dele correu pelo mato, correu, correu...e o cachorro vinha junto, e corria, corria...até que bem tarde ele achou um buraco de castor e entrou, aí escapou.

Aí, diz que no outro dia, noutro mês mais ou menos, eles se encontraram de novo.

Aí o macaco falou:

- Mas como é que você escapou?

- Escapei por essa coisa...

Disse o guará e mostrou um par de botas:

- Eu encontrei estas botas, se não tivesse encontrado aí que eu morria mesmo. Aí eu achei essas botas e calcei, coloquei nos meus pés e subi em uma árvore.

- Ah! Subiu mesmo é? Disse o macaco.

- Subi sim!

Aí o macaco pensou e falou:

- Ah! Então me empresta aí essas duas botas.

- Empresto sim.

Aí o macaco colocou as botas e disse:

- Ah, então chupar cana de novo.

Aí, diz que eles estavam lá...chupavam....

Aí o macaco em cada chupada que gritava:

- Ai! Que doce! Gritava assim...bem alto.

E o guará falava:

- Calma aí...olha o cachorro.

E o macaco falava:

- Não estou com medo, agora estou com as botas...ai que doce!

Aí daqui há pouco os cachorros vieram de novo. Aí o guará correu e o macaco esperava, tranquilo, um pouco ainda. Aí chegaram os cachorros...o macaco tentou trepar na árvore mas ele caía, subia e caía. Aí o cachorro pegou ele e comeu.

 

O mico estava no rio pescando quando o tigre chegau.

  Diz que o mico foi pescar. Ele estava no rio pescando quando o tigre chegou:

- O que é que você está fazendo?

O mico respondeu:

- Vamos comer peixe? Ah...se você tem fogo podemos comer.

Aí o tigre falou:

- Ah, não tenho fogo....como é que iremos fazer o fogo?

Aí o mico ficou pensando, pensando, olhando de lado e disse para o tigre apontando a lua:

- Oh, tigre! Vai buscar o fogo, lá em cima tem fogo, pode subir lá!

O tigre ficou pensando e disse:

- Tá certo...eu vou.

Passou um tempo e o tigre voltou:

- Não cheguei lá.

O mico falou:

- Você não chegou agora não podemos comer o peixe. Pois tente de novo, suba pelos morros, pelas cordas do cipó!

Aí o tigre se animou e saiu correndo.

Aí o mico se aprontou, pegou o peixe colocou no seu bolsinho e foi correndo subindo lá em cima, trepou em um coqueiro, bonito coqueiro. Ficou lá na ponta fazendo fogo. O mico tinha fogo. Tinha fogo daquele isqueiro...batia...tinha pedra e um canudo de taquá. Batia, batia e fez o fogo...e ficou lá cozinhando o peixe.

Aí o tigre veio, chegou e ficou procurando o mico e não achou mais. Que dê o mico?! Por aí...e o tigre foi seguindo o rastro dele e achou a trilha dele subindo. Aí achou o mico cozinhando o peixe lá em cima. E gritou:

- Oh, mico! Como você subiu aí em cima?

- Eu subi de costas, com a bunda prá cima!

E o tigre ficou admirado.

- Será que eu também consigo?

- Consegue sim, pode vim!

- Mas quando eu chegar aí como é que eu vou fazer? Ainda gritou o tigre.

- Ora...quando você chegar aqui eu seguro você pelo teu rabo! Respondeu o macaco.

Aí o tigre foi subindo de bunda prá cima, bem devagarinho, sempre perguntando para o macaco:

- Tá perto!

E o mico respondia:

- Tá quase!

- Será que eu já estou perto?

- Tá quase, pode subir um pouquinho mais que eu já estou pegando o seu rabo.

Aí, quando tigre chegou bem perto o mico pegou no rabo, e a água tava fervendo peixe, pegou a panela e virou e largou o rabo...e tigre foi pro chão.

Aí no chão o tigre ficou pensando: "O mico sem-vergonha, me fez uma coisa dessa..."

Aí pediu para o vento para morder todo o mico. Aí o vento começou a chegar e mico foi percebendo que ia cair e o tigre abriu a boca para pegar o mico - e foi tão rápido que o tigre engoliu o tigre sem mastigar. Aí o tigre seguiu seu caminho. Mas o mico que estava lá dentro, tirou seu canivetinho e começou a picar, bem devagar, as tripas do tigre. Aí o tigre sentiu o corpo enfraquecer, enfraquecer, doendo muito.

Aí o tigre percebeu que não tinha mais jeito e foi procurar um pajé. Mas não é um pajé de gente, é um pajé de tigre. Aí chegou perto da casa do grilo e gritou:

- Ei, você é pajé?

O grilo respondeu:

- Sou.

Aí o grilo olhou, olhou a barriga e disse:

- Acho que a comida que você come fez mal para você. Não tem mais jeito mesmo. Mas tem outro pajé, quer ir lá, pode ir.

E o tigre foi. Parou na casa da aranha, que também era pajé, e ela falou:

- Você tá muito mal, você vai morrer mesmo, não posso te curar.

Aí o tigre ficou muito sentido e pensou: "Não tem mais jeito mesmo, procurei dois pajés e ninguém pode me curar". No outro dia ele se levantou, foi andando pela estrada e morreu.

O mico havia cortado todas as tripas e coração e matou o tigre. E aí o mico ficou pensando: "Poxa, agora como é que eu vou sair? Se sair pela boca ele pode me morder, se sair pelos olhos ele pode me enxergar, se sair pelo nariz ele pode me cheirar, se sair pelo ouvido ele pode me ouvir, se sair pelo pé ele pode me pisar, se sair pela mão ele pode me pegar..." Aí o mico pensou, pensou e resolveu abrir a barriga do tigre e saiu. Daí ele ficou preocupado: "Poxa, agora como é que eu vou fazer? Tem o outro companheiro do tigre que vai ficar sabendo e vai querer me pegar. Como eu vou fazer?". Aí ele voltou até o tigre morto e com seu canivete cortou a mão dele e o dente, tirou o dente e colocou na sua bolsa. E aí foi andando pela estrada. A tardezinha fez um foquinho e sentou, ficou sentado lá.

Aí chegaram quatro tigres e falaram para o mico que continuava sentado:

- Agora você não vai escapar. Não tem mais jeito mico!

Aí o mico disse:

- Puxa, vou ter que matar mais tigre de novo...eu falei que se aparecesse tigre por aqui eu matava de novo. Já matei muito tigre. Oh, eu tenho os dentes (e mostrou o dente do tigre), oh, dente feio!

Aí os tigres pesaram: "Será que este mico esta mentindo?".

Aí o mico falou:

- Agora vou pegar a mão do tigre deste tamanho (e mostrou a mão do tigre morto), oh, que mão de tigre mais feia.

Aí um tigre ficou olhando para o outro:

- Olha, não é mentira não. Vamos embora.

Aí os tigres foram embora e o mico escapou.

 

 

Uma família pobre.

Diz que tinha uma família pobre, trabalhadora, que tinha um patrão que morava longe, em um sítio.

Aí um dia a esposa dele resolveu:

- Você tem que sair para vender essa nossa vaquinha.

Aí o marido dela pegou a vaquinha e saiu pela estrada, depois de um tempo encontrou um homem que vinha vindo com um porco.

- Ei, onde é que você está indo com essa vaquinha?

- Estou indo vender.

- Não que trocar pelo meu porco?

- Bom...pensou o homem...já que você quer trocar, vamos fazer negócio então.

Aí o homem trocou sua vaquinha por um porco. Daí ele continuou e mais para a frente ele encontrou um outro homem com um cabrito.

- Ei, aonde você vai com esse porco?

- Vou vender.

- Quer trocar por esse pato cabrito?

Aí o homem trocou. Andou mais um trecho e encontro um outro que vinha com um pato assado:

- Ei, quer trocar esse cabrito por esse pato assado?

E ele trocou. E ia segundo agora com o pato assado quando encontro um homem que vinha com uma galinha, e homem também perguntou:

- Ei, aonde vai com esse pato assado?

- Eu vou vender.

- Quer trocar por essa galinha?

O homem pensou...pensou e de novo resolveu:

- Já que você quer trocar vamos fazer negócio.

Aí já estava chegando na casa do patrão dele, já estava bem de tardezinha e o patrão dele não estava em casa. Como estava com muita fome mandou malar a galinha e comeu, ele comeu porque estava com muita fome mesmo.

Aí a noite, o patrão dele chegou e perguntou:

- Por que é que você veio?

- Minha mulher mandou vendera vaca, aí eu saí e vim até aqui.

- E o que é que...vendeu, trocou, que é fez da vaca?

- Eu vinha vindo a uma altura e encontrei com um homem que ia indo com um porco, ele queria trocar e eu troquei.

- Bom...falou o patrão...e cadê o porco?

- Pois...eu vinha vindo com o porco e encontrei com um homem que estava indo com um cabrito.

- E o cabrito?

- Vim mais uma altura e encontrei outro homem que ia indo com um pato, ele queria fazer negócio, queria trocar o pato pelo cabrito e eu troquei.

- E o pato? O que fez do pato?

- O pato eu troquei por uma galinha, é que encontrei um outro homem que queria fazer negócio e troquei.

- E a galinha?

 A galinha eu mandei matar porque estava com muita fome e jantei ela.

- E agora, e sua mulher? Que é que vai fazer?

- Não sei...

Aí diz que o patrão pensou e resolveu fazer uma proposta:

- Olha, eu vou te fazer uma proposta, você voltando para casa, você contando tudo o que você fez para sua mulher e ela não ficar brava, não brigar com você, vou te dar mil cabeças de gado e mais uma porção de dinheiro. Mas se ela ficar brava eu não vou te dar nada.

Aí o homem disse:

- Então está certo...vamos embora.

O patrão dele pegou dois cavalos, um para cada um e forma para a casa dele.

Quando chegou de volta em casa a mulher perguntou:

- Aí, vendeu bem a vaquinha que você levou?

Ele falou:

- Logo que eu saí encontrei um homem vindo com um porco, aí eu troquei pelo porco.

Aí a mulher dele falou:

- Ah...então tá bom...nós precisamos mesmo de ter um porquinho aqui. E o porquinho?

- Aí eu fui indo com o porco e encontrei um homem com um cabrito, ele queria trocar com o cabrito, aí eu troquei.

- Ah...então tá bom, aqui tem muito lugar para ter criação de cabrito, vai ser bom a gente ter um cabritinho, mas e o cabritinho?

- Ah, o cabrito eu troquei por um pato, um outro homem queria trocar aí eu fiz negócio.

- Ah, então té bom...tem um rio pertinho daqui para a gente criar pato. E o pato?

- Pois...logo quando eu estava chegando veio um homem com uma galinha, ele queria trocar a galinha e eu troquei.

- Ah...então tá bom, vamos começar um criação de galinha...

- Mas ter galinha é que esta difícil....eu cheguei de tardezinha, estava com fome e mandei matar a galinha e comi.

- Ah, então tá bom...quando a gente viaja a gente sente fome mesmo.

Ai diz que o patrão estava surpreendido com mulher que não ficava brava nunca, tudo que ele contava a mulher achava bom. Então, aí, ele ganhou a aposta: mil cabeças de gado e uma porção de dinheiro...!




"Como nasceu a primeira mandioca"

Era uma vez uma índia chamada Atiolô. Quando o chão começou a ficar coberto de frutinhas de murici, ela casou com Zatiamarê.

As frutinhas desapareceram, as águas do rio subiram apodrecendo o chão. Depois o sol queimou a terra, um ventinho molhado começou a chegar do alto da serra. Quando os muricis começaram outra vez a cair, numa chuvinha amarela, Atiolô começou a rir sozinha. Tava esperando uma menininha.

Zatiamarê, porém, vivia resmungando:

- Quero um menino. Para crescer feito o pai. Flechar capivara feito o pai. Pintar o rosto assim de urucu feito o pai.

O que nasceu mesmo foi uma menina. Zatiamarê ficou tão aborrecido que nem lhe deu um nome. E ficou muitas luas sem olhar a sua cara. A mãe, por sua própria conta, começou a chamar a menininha de Mani.

O único presente que Zatiamarê deu a Mani foi um teiú de rabo amarelo. Mas não conversava com ela, não. Se Mani perguntava alguma coisa, ele respondia com um assovio.

- Por que você não fala com sua filha? - perguntava Atiolô, muito triste.

- Porque esta filha eu não pedi - respondia ele. - Pra mim é como se fosse de vento.

Até que Atiolô ficou esperando criança de novo.

- Se desta vez não for um homem, feito o pai - jurava Zatiamarê - vou botar em cima de uma árvore. E nem por assovio vou falar com ela.

Foi, porém, um menininho que chegou: Tarumã.

Com ele, o pai conversava, carregava nas costas pra atravessar o rio, empoleirava no joelho pra contar história.

Mani pediu à mãe que a enterrasse viva. Assim o pai ficaria mais feliz. E talvez ela servisse pra alguma coisa. Atiolô chorou muitos dias com o desejo da filha. Mas tanto Mani pediu que ela fez.

Fez um buraco no alto do morro e enterrou Mani.

- Se eu precisar de alguma coisa - explicou ela - você saberá.

Atiolô voltou para casa. De noite sonhou que a filha sentia muito calor. De manhãzinha foi até lá e a desenterrou.

- Onde você quer ficar enterrada? - perguntou.

- Onde tiver mais água - pediu Mani. - Me leva pra beira do rio. Se eu não estiver satisfeita, você saberá.

Na primeira noite, Atiolô não sonhou nadinha. Achou que a filha estava alegrinha no novo lugar. De tardinha, porém, quando tomava banho no rio, não é que recebeu um recado? Boiando na água, era a voz de Mani:

- Me tira da beira do rio. O frio não me deixa dormir.

Atiolô obedeceu. Levou a filha pra bem longe na mata:

- Quando você pensar em mim - disse a menina - e não se lembrar mais do meu rosto, está na hora de me visitar. Aí você vem.

Passou muito tempo. Bastante que bastante. Um dia Atiolô sentiu saudade da filha, mas cadê que lembrou da cara que ela tinha?! Foi na mata. Ao invés de Mani, encontrou uma planta muito alta e muito verde.

- Uma planta tão comprida não pode ser a minha filha! - resmungou.

Na mesma hora a planta se dividiu. Uma parte foi ficando rasteirinha, rasteirinha e virou raiz. Sua mãe achou que podia levar aquela raiz pra casa.

Era a mandioca.

 












Kims Länkar / en länksamling /



UPP!